Dirigentes de cultura, delegados eleitos nas Conferências Territoriais, artistas e produtores culturais de toda a Bahia vão se reunir, desta quinta-feira (26) a domingo (29), em Ilhéus, na III Conferência Estadual de Cultura, para discutir políticas públicas de cultura. O Viola de Bolso estará presente nesses quatro dias junto com 26 territórios de identidade do Estado.
O objetivo é participar de debates e apresentar novas propostas e ações para os diversos setores de cultura do estado e do país.
As propostas serão levadas para a 2ª Conferência Nacional de Cultura, que acontece de 11 a 14 de março de 2010, em Brasília, e irão compor o projeto de Lei Orgânica da Cultura que será encaminhado para aprovação da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia.
Sob o tema Cultura, Diversidade, Cidadania e Desenvolvimento, o mesmo da conferência nacional, o encontro em Ilhéus acontece após a realização das conferências municipais, territoriais e setoriais de cultura realizadas no Estado.
Dados do Ministério da Cultura mostram que o Nordeste é a região que mais envolveu municípios durante a realização das Conferências, sendo que elas aconteceram em 55,77% das cidades.
Desde agosto, a Bahia está em processo de Conferências de Cultura. As municipais foram realizadas em 367 dos 417 municípios do Estado, as territoriais aconteceram em todos os 26 territórios de identidade. Entre representantes, delegados e sociedade civil, 43.957 pessoas participaram dos encontros. O Estado foi o único a realizar Pré-Conferências Setoriais.
Os resultados da conferência serão sistematizados e divulgados em um documento final que servirá como subsídio para a elaboração dos planos municipal, estadual e nacional de cultura.
Fonte: Correio
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Viola de Bolso na Conferência Estadual de Cultura
Políticas culturais para Marina e Alice
Políticas culturais para Marina e Alice
Pensamos o futuro.
Ao lutar por políticas culturais no estado brasileiro, estamos gestando o futuro e trilhando caminhos que seguramente nossos filhos e netos deverão transitar e proteger.
É para Alice, é para Marina Esther que plantamos nossos ideiais de justiça e criação de relações fraternas.
Os setores mais reacionários que pregam o chamado desenvolvimento, tem medo do pensamento livre e das expressões e diversidade culturais.
A Conferência Estadual de Cultura que se inicia em Ilhéus, entre os dias 27 e 29 de novembro tem que assentar a sua reflexão nesse futuro no qual olharemos com emoção.
Estamos em território Tupinambá, rememorando o Caboclo Marcelino, exemplo de resistência contra a invasão branca. Na abertura do evento vimos que ainda continua a agressão contra as populações tradicionais, em nome da ganancia e do lucro.
Na Conferência são varios rostos, diversos sotaques, gestos e presenças que compartilhamos nestes tres dias.
Em meio à confusão do começo, vamos nos situando para contribuir nesse momento histórico.
O Viola de Bolso no sábado lerá um manifesto da Rede Cultural Bahia ao extremo, falando de suas crenças nesta luta por políticas culturais.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Políticas culturais abrangentes
Políticas culturais em uma nova sociedade
Eis o paradigma.
Depois de tantos anos reconstituindo tecidos sociais e mecanismos de participação dos cidadãos, caberá a nós, os sujeitos da transformação, conduzir a reflexão sobre o papel da cultura e das artes e de políticas mais abrangentes na nova sociedade.
Por enquanto, estamos no campo reivindicativo diante do estado, sobretudo após a CF de 1988. Agora é avançar em ações afirmativas, de caráter ideológico, de conteúdo, baseado na história e na autonomia das comunidades locais, no domínio territorial e na abrangência das ações.
A consolidação de políticas culturais neste modelo de Estado é importante, para seguir adiante e dar os passos seguintes, preparando mudanças macro estruturais.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Terreiros da Conferência

No Terreiro lá de casa
Em Ilhéus, Olivença é território Tupinambá, reduto indígena em consequência da força da violência impetrada pelos invasores. Ilhéus foi construída dos escombros das aldeias, dos engenhos e da labuta do negros ali segregados.
Após séculos de invasão, construída sob a égide da soberana economia cacaueira, cada povo quer o seu lugar. O conquistador que se achava vencedor, está assustado porque os grupos étnicos se levantam, terreiros e aldeias a exigir de volta as suas terras.
É neste terreiro e nesta aldeia que acontece a Conferência das culturas, a conferencia estadual em que as identidades se encontram e compartilham lutas e esperanças.
Ilhéus, e suas expressões culturais há décadas refém de um turismo "pardo", medíocre e asséptico, deve se levantar. Entidades negras, grupos tradicionais e artistas não podem continuar pautando as suas artes e folguedos em nome de um turismo mesquinho, que usa e abusa da "cultura", como se essa fosse um objeto de plástico que se lava e espera pra depois ser usado. É oportuna a Conferência para Ilhéus. Os seus artistas assim como toda a região - também sentiu a crise do cacau e as suas instituições - como a Casa dos Artistas - viveram dias de sufoco.
Quem sabe nesta Conferência poderemos abraçar os donos da terra e afirmar com eles os propósitos de comunão e reciprocidade. E em seguida festejar.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
TERREIROS DA CONFERÊNCIA
Inspirado na Conferência Estadual de Cultura, o Ponto de Cultura do Viola de Bolso, publicará até o domingo, 29, alguns textos provocativos.
CANTIGA BRAVA*
"Me pediram pra deixar de lado toda tristeza
Pra só trazer alegria e não falar de pobreza.
E mais, prometeram se eu cantasse feliz,
agradava com certeza.
Eu que não posso enganar,
misturo tudo que vi.
Canto sem competidor, partindo da natureza,
do lugar onde nasci.
Faço versos com clareza,
a rima, belo, tristeza.
Não separo dor de amor.
deixo claro que a firmeza do meu canto
vem da certeza que tenho,
de que o poder que cresce sobre a pobreza
e faz dos fracos, riqueza
é que me fez cantador."
* Poesia original de Geraldo Vandré, em seu disco "cantiga brava"
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Poetas do mundo
Elogio da Memória
O funil da ampulheta
apressa, retardando-a,
a queda
da areia.
Nisso imita o jogo
manhoso
de certos momentos
que se vão embora
quando mais queríamos
que ficassem
- José Paulo Paes, em "socráticas", Ed. companhia das letras 2001.
domingo, 22 de novembro de 2009
Resistência
Cultura popular resiste em Belmonte
Encerrando a programação da Semana da Consciência Negra em Eunápolis, o Ponto de Cultura do Viola de Bolso trouxe as "Nagô Africana" e os "Negros Mirins", dois grupos de cultura popular de Belmonte, que resiste há décadas, apesar da falta de apoio do poder público.
Além dos grupos, o espetáculo musical "Sete cantigas pro Jequi" por Alberto Rocha, compôs a programação e encantou o público presente.
(veja as fotos clicando no Flickr acima)






